FRETE GRÁTIS EM COMPRAS A PARTIR DE R$ 380

Bailarina Preparada: Bate-papo com Bella Souza

Bailarina Preparada: Bate-papo com Bella Souza
Olá, querido leitor(a)!
VOLTEEEEI 
Aqui é o Armandinho, e eu estava morrendo de saudades de poder produzir textos para esse espaço que amo tanto.
A Bella deu as boas-vindas à volta do blog com um texto sobre a nova coleção - Entretempos (se você ainda não leu, corre lá no texto anterior para ficar por dentro), e agora chegou a minha vez de poder compartilhar algo bacana com vocês. E não tinha como voltar de outra forma, que não fosse com os nossos clássicos  bate-papos.
Dessa vez eu conversei com a Bella - que não é a Bella da Labè (risos).
A Isabella Souza (também conhecida como Bella) é personal trainer e atualmente mora em Porto, Portugal. Conheci a Bella virtualmente quando, em outubro de 2021, ela me convidou para bater um papo em sua plataforma, Bailarina Preparada.
Com mais de 19 mil seguidores no Instagram, a plataforma Bailarina Preparada é um espaço virtual, que tem o objetivo de compartilhar e auxiliar a evolução física de bailarinos por meio de dicas de condicionamento físico e treinamentos. Além dos conteúdos no Insta,  o projeto tem canal no Youtube, Podcast e realiza várias ações no decorrer do ano, como cursos e workshops. 
Espero que gostem da leitura!
Beijos do Armandinho.
AB - Bella, usando o tradicional pleonasmo: vamos começar pelo começo (risos)... conta pra gente como começou a sua história com a dança? 
IS - Minha história com a dança começou quando eu tinha uns 7 aninhos lá em Pirassununga, cidade em que nasci, no interior de São Paulo. Ao mesmo tempo em que fazia Jazz e Ballet, também fazia Ginástica Rítmica na escola. Meu pai é militar, então nos mudamos para Brasília quando eu fiz 8 anos, e quando chegamos lá, pelo custo de vida mais alto, logística de cidade grande e etc, minha mãe mandou eu escolher: ou a dança ou a ginástica. Os dois não iam rolar, haha! Então eu escolhi ficar na ginástica, porque queria ganhar medalhas 😅.
Fui atleta de GR por 12 anos, participando de inúmeras competições e batendo na trave de uma seleção brasileira. Fui muito feliz na ginástica (ganhei muitas medalhas hahaha), e como parte da nossa preparação eu fazia aulas de Ballet, sem uma metodologia específica, porque as aulas eram voltadas para o nosso desempenho na ginástica. Quando eu estava com meus 18 anos, nossa professora de ballet precisou sair do ginásio, e eu não queria ficar sem as aulas porque sentia muita diferença no meu corpo, então ela me indicou uma academia de dança, a Lúcia Toller, e foi aí que retornei ao ballet dentro de uma sala de dança, com metodologia e tudo mais. Considero que comecei o Ballet nessa época, porque nossas aulas de ballet do ginásio eram bem diferentes das aulas de ballet tradicionais, e, de fato, tive bastante dificuldade de aprender a técnica correta. Apesar disso, já tinha uma boa base de condicionamento físico, então meu professor, Rodrigo Mena Barreto, me puxou para as aulas de Jazz e contemporâneo e me convidou para fazer parte da sua Cia jovem, a Duo. Fiquei um ano na loucura de fazer dança e ginástica em nível competitivo, e depois me aposentei dos tapetes e passei a me dedicar somente à dança ❤.


AB - Essa pergunta é um pacote 3 em 1. Como surgiu o interesse pelas outras formas de cuidar e trabalhar a musculatura corporal? Como você descreve sua relação do ballet e a educação física? Como você une o condicionamento físico com as aulas de ballet clássico em sua rotina?
IS - Como fui atleta, desde sempre quis fazer Educação Física na faculdade. Meu objetivo era me tornar preparadora física de ginastas, porque eu sentia na minha pele o quanto os treinos extras eram importantes para minha performance. Quando entrei no mundo da dança, fiquei impressionada, porque comecei a perceber que quase ninguém fazia treinos extras. Eram só as aulas clássicas, muitas aulas por sinal, sem nenhum outro tipo de complemento, sabe? Isso era bem estranho pra mim, porque desde muito cedo eu já tinha uma parte do meu treino na GR dedicada à preparação corporal, e por mais que soubesse das diferenças entre o ballet e a ginástica, também conseguia enxergar diversas semelhanças. Por conta disso foi despertando meu interesse em estudar um pouco mais sobre os efeitos do preparo corporal na dança, e aí eu explorava todos os meus professores da graduação e pós-graduação, buscando responder às várias perguntas que tinha sobre o tema! Acredito que a Dança e a Educação Física precisam andar de mãos dadas SEMPRE! Temos muito o que contribuir para a saúde e performance de bailarinos.
Na minha rotina atual, faço ballet apenas por hobby, duas vezes na semana. Meus treinos extras são todos na musculação, quatro vezzes por semana, e embora meu objetivo na academia seja mais voltado para a estética, sinto muita diferença na minha performance nas aulas e apresentações. É bizarro como mesmo um treino não específico pode nos ajudar.


AB - A sua plataforma, Bailarina Preparada, alcança grandes números e você possui uma certa influência digital no mundo da dança com seus posts. Como você enxerga o seu papel e as suas responsabilidades ao se comunicar com tantos jovens bailarinos? 
IS - Acredito que estar na internet é uma grande responsabilidade, ainda mais falando sobre um tema que ainda não é tão popular, que é a preparação física. Ainda existem muitos mitos e informações equivocadas com relação a isso, e tenho que ter muito cuidado ao rebater algumas coisas que já estão enraizadas no mundo da dança há muito tempo. Por isso tento sempre trazer referências acadêmicas e científicas para os meus conteúdos, usando uma linguagem que todo mundo consiga entender. Isso é um dos meus princípios, tornar o conhecimento acessível ao máximo de bailarinos que eu puder. As chamadas "Ciências da Dança" são um campo muito recente, com a maioria das publicações em inglês, em linguagem científica, que nem todos estão acostumados, sabe? Então eu me sinto na obrigação de tentar tornar tudo isso mais popular, além de super agradecida por conseguir alcançar tantas pessoas! Não imaginava que tanta gente ia se interessar pelo que eu tinha a dizer quando comecei (risos).
AB - Quais são as maiores dúvidas e surpresas que os bailarinos te apresentam quando se trata de condicionamento físico? O que você acredita ser o maior alheamento entre bailarinos?
IS - As maiores dúvidas normalmente estão relacionadas aos treinos de força. Por muito tempo acreditou-se que treinar força, fazer musculação, pegar peso, seria prejudicial para a flexibilidade e para a performance na dança como um todo. Muitos professores acreditavam que a força obrigatoriamente viria acompanhada da hipertrofia muscular (aumento do tamanho do músculo), o que poderia atrapalhar a estética da dança, ou até que deixaria a perna mais pesada e diminuiria a agilidade, o que não é verdade. Esse medo foi se espalhando pelo mundo da dança, então é extremamente comum receber dúvidas relacionadas a isso.

AB - Se você pudesse dar alguma dica geral sobre cuidados com o corpo para os bailarinos qual seria?
IS - Façam treinos suplementares! Encontrem uma atividade extra que vocês gostam de fazer, mas que seja EFICIENTE para proteger o corpo e melhorar a performance. Se vocês gostam de dançar e querem ser felizes dançando por muito tempo, vocês tem que fazer isso! Não precisa treinar todo dia! Existem trabalhos com resultados muito positivos em protocolos de treinos de 30 minutos 2x por semana! Fazer um milhão de aulas de dança para aprimorar a técnica não é uma boa escolha, porque isso compromete outro ponto chave do desempenho, que é o descanso. Um profissional da área vai saber organizar todos os treinos e aulas, e assim o descanso não é comprometido! Por isso é importante ter esse acompanhamento!!
AB - E para encerrar o nosso bate papo, é hora de fazer a nossa clássica última pergunta: O que a Bella leva da dança para a vida?
IS - Levo muitas coisas boas! Experiências de palco, viagens, amigos pra vida toda, e MUITOS aprendizados. Mas o que considero mais importante é o modo como a dança me faz sentir feliz comigo mesma, de forma 100% genuína, sabe? Não preciso de nada quando estou dançando, dançar por si só já me faz feliz, seja no palco, numa sala ou até na cozinha de casa hahaha! Sentia isso também com a ginástica. São os meus dois grandes amores: a ginástica e a dança 💙.

Conteúdos relacionados