Bate-papo com Lu Braga - autora da Metodologia Coordenando-se


Oii!!

Tudo bem?!

Quem já nos acompanha aqui sabe que a minha história com a dança começou em 1997, quando tinha três  anos de idade, e ao meu lado nesse momento estava a querida Tia Lu!

Acredito muito na influência do professor na formação do aluno, e o quanto ele pode ser um “fator decisivo”  para que o aluno se envolva, aprenda e goste de determinada matéria/atividade ou passe a detestá-la. Acredito também que algumas pessoas têm um dom especial para isso. Principalmente quando falamos de ensino para crianças, o professor  precisa ir além da didática, vejo  a criatividade como algo fundamental para entrar no mundo lúdico da imaginação infantil,  conquistar e surpreender as crianças.

Dito isso, fico muito feliz em olhar para trás e ver a sorte que tive  em ter meus primeiros passos de ballet abençoados por uma professora tão especial. Tia Lu reúne todas as qualidades de uma professora pronta para fazer a diferença na vida de qualquer criança. Sempre muito criativa, alegre e com as melhores respostas na ponta da língua para aquelas perguntas de criança, que deixam a gente numa “sinuca de bico”.  Além de conquistar com a  didática, seu jeito amável e carinhoso de lidar com as pessoas imprimi aquela imagem de meio professora, meio mãe: tia! Tia que está ali ao lado para apoiar, ajudar a educar e passar valores e princípios. Tia que inspira e vira referência! 

E é nesse clima de inspiração que hoje a convidamos  para um bate-papo.

Graduada em licenciatura plena em Educação Física pela UFMG e pós-graduada em Neuropscicopedagogia, além de professora, é fundadora e diretora artística e pedagógica da escola Cridança, e autora da metodologia “Coordenando-se”.  

Mineira que se mudou para Vitória há mais de vinte anos, hoje vem conquistando o Brasil, contabilizando mais de 70 workshops ministrados em três anos, abordando sua Metodologia. 

 Confiram mais, a seguir, sobre a história  de Lu Braga  com a dança  e a criação do projeto Coordenado-se, no bate-papo com Armando. 

 

Bjobjo, 

Bella

 

AB – CONTE UM POUCO SOBRE COMO E QUANDO COMEÇOU A SUA RELAÇÃO COM A DANÇA.

LB - Eu estudava em uma escola pública, em Belo Horizonte, e lá tinha balé. Eu sempre sofri por ser muito magrinha, meu apelido era Olívia Palito, e eu chorava muito quando me chamavam assim. Mas no balé eu tinha o biotipo que todos queriam ter, então ali eu me sentia muito bem. A professora me amava, me tinha como referência, e isso fez com que dentro do balé eu conseguisse ocupar um espaço que, socialmente, eu não conseguia alcançar. Assim foi surgindo a minha paixão pela dança.

Eu fui incentivada por grandes mestres. Depois do balé dentro da minha escola, eu entrei para o Palácio das Artes, onde tive a oportunidade de aprender com Helena Vasconcelos, que foi a pessoa que me apresentou a forma mais digna de dançar e foi a primeira mestre que me mostrou o valor do esforço, e não do talento. Nós tínhamos que fazer testes para entrar, e eram muitas pessoas talentosas, porém muitas não queriam nada com nada, e eu sempre fui muito esforçada. Eu sofri um pouco por não ver a meritocracia no mundo onde eu vivia, mas a Helena Vasconcelos me mostrou o valor da meritocracia, pois era uma pessoa que valorizava muito o esforço de cada um. Ali eu percebi que se eu fizesse a minha parte, eu sempre teria um lugar, e desde então eu tenho isso como lição.

 

AB – COMO SURGIU A IDEIA DE DESENVOLVER A METODOLOGIA COORDENANDO-SE?

LB - O livro 1 e a metodologia foram muito intuitivos. A ideia surgiu dentro da minha casa. Eu já morava  em Vitória, isso em 1998, e o quarto de minha filha, Maluzinha, era muito distante do meu quarto, e quando ela acordava pra ir para o meu quarto, ela acabava dormindo na sala. Inspirada pela história de João e Maria, eu criei um caminho a partir do quarto dela, onde ela ia pulando ‘emborrachados’, para que pudesse chegar ao meu quarto. À medida que ela foi crescendo, o caminho foi sendo mais elaborado.

A minha sala de aula foi, sem dúvida, o meu grande laboratório, onde eu pude experimentar muitas coisas, onde algumas deram certo, outras não, e a metodologia foi então evoluindo e crescendo. Hoje nós temos 3 livros, com 24 atividades, e uma codificação que é patenteada.

 

AB – QUAIS FORAM OS FUNDAMENTOS PSICOMOTORESDA METODOLOGIA?

LB - Com a minha formação toda motora”, sendo bailarina clássica e formada em Educação Física, eu não esperava pela grata surpresa que a metodologia me apresentou. Após fazer a s em Neuropsicopedagogia, eu pude ver que a metodologia é muito forte nas funções executivas e cognitivas, por isso hoje ela está muito presente nas clínicas e consultórios, tanto de fisioterapia, psicologia, pedagogia, neuropsicopedagogia, fonoaudiologia, justamente pela amplitude que pode ser aplicada com as funções.

As funções executivas são memória operacional, freio inibitório, flexibilidade cognitiva, e resolução de problemas. o basicamente aquelas funções que a gente precisa ter para que o dia possa ser proveitoso, o perdendo tanto tempo tendo que refazer alguma tarefa e sim, realizá-lacom mais qualidade.

as funções cognitivas são as atenções seletivas, alternadas, sustentadas, e divididas. Concentração, planejamento, plasticidade cerebral. Isso sem falar de toda a parte motora.

É tudo muito ligado. Quando a gente fala de uma criança com dificuldade escolar, ou autista, ou com ndrome de Down, ou uma criança com Alzheimer ou Parkinson, ou mesmo uma neurotípica, a metodologia pode ser aplicada em todas essas crianças e com seus específicos resultados. 

 

AB COMO É APLICADA A METODOLOGIA NO ENSINO DA DANÇA?

LB - O livro 1 contém 8 atividades da motricidade grossa, e o livro 2 são mais 8 atividades da motricidade grossa com um capítulo específico da motricidade fina, onde eu apresento as 16 atividades do livro 1 e 2 com a motricidade fina. Já o livro 3 apresenta a metodologia adaptada ao balé clássico.

Explicando melhor, existe a ampulheta de Gallahue, onde ele divide as fases motoras de acordo com a faixa etária. Então, segundo Galaahue e Ozmun, as crianças de 2 a 7 anos estão na fase motora fundamental, e a partir dos 7 anos elas entram na fase motora especializada. Sendo assim, o livro 1 e 2 são indicados paras as crianças da fase motora fundamental, não importando se ela faz Balé, Jazz, Street Dance, Sapateado, ela precisa trabalhar as habilidades motoras fundamentais. Isso significa que não é necessário ser aplicado nada específico para essa criança, pois ela tem que aprender todas as possibilidades do corpo dela, antes de praticar algo específico. Essa criança precisa marchar, saltar, andar, correr, abaixar, levantar, andar para frente e para trás, descobrir todas as possibilidades motoras da vida dela, sem pensar em esticar a ponta do pé, encolher a barriga, levantar a cabeça, pois essas são atividades específicas.

A metodologia é para ser aplicada com os livros 1 e 2 com crianças de 2 a 7 anos, e o livro 3,com a adaptação para o balé, com crianças acima de 7 anos.

 

AB QUAIS FORAM OS DESAFIOS ENCONTRADOS AO LONGO DO CAMINHO DESSE PROJETO?

LB - As pessoas confundem muito o lúdico com o brincar, tendo uma visão pela brincadeira.Por exemplo, um cuidado que eu não tinha anteriormente, de quando eu postava um vídeo do que eu aplicava em sala de aula, se eu não explicasse o que era meu objetivo com aquilo, quem assistia achava que era uma brincadeira. Como a metodologia é muito lúdica a criança chegava em casa dizendo “nossa, mãe, hoje a aula foi muito legal, foi brincadeira”.

Eu não permito isso hoje. Eu sempre explico para as crianças o que está sendo trabalhado e quando compartilho vídeos pelo whatsapp ou outro aplicativo, eu escrevo para os pais explicando o objetivo daquela atividade e como aquilo vai agregar na vida da criança futuramente.

O meu grande desafio foi explicar a importância do lúdico no processo ensino-aprendizagem. Eu venho de uma geração, a mesma de muitos pais, onde o professor bom era aquele bravo e exigente. Esse tipo de professor não cabe mais na educação, mas, infelizmente, essa é a referência que os pais tiveram, então muitos deles ainda acham que esse é o bom professor. Quando os pais veem um professor que tenta transformar a sala de aula num ambiente leve e agradável, onde as crianças adoram, isso fica com uma imagem aliada a brincadeira, embora o trabalho seja muito sério e profundo.

Mas, graças a Deus, hoje nós temos as redes sociais. Santo de casa o faz milagre. Isso é bíblico, e o faz mesmo. Se eu dependesse das pessoas de Vitória para o meu trabalho ir adiante, a metodologia estaria até hoje apenas dentro da minha escola.

Esse ano eu fui convidada para dar aulas no curso do Festival de Dança de Joinville, e teve uma pessoa daqui, que me ligou falando que eu tenho muita sorte, pois existem muitas pessoas que estão na dança por muito mais tempo do que eu e nunca alcançaram o que eu consegui alcançar. E realmente, a sensação que eu tenho é de que em Vitória as pessoas não reconhecem e não dão valor à metodologia, mas eu sei que não é nada pessoal, e repito, santo de casa não faz milagre.

 

AB – ALÉM DA SALA DE AULA, COMO E ONDE A METODOLOGIA PODE SER APLICADA? QUEM PODE SE BENEFICIAR COM OS RECURSOS DA METODOLOGIA?

Além da sala de aula, como eu mencionei anteriormente, a metodologia é muito forte tambénos consultórios. No teatro, música, judô, karatê, futebol, natação, todas as atividades que oobjetivo maior é a motricidade grossa, e também está presente dentro das escolas de educação infantil.

 

AB – O QUE A TIA LU LEVA DA DANÇA PARA A VIDA?

LB Nossa, vou ficar falando aqui até amanhã. Eu não sei o que seria a Lu sem a dança. A dança faz parte da minha vida, da minha formação como ser humano. Eu falo que eu tive fases com a dança. Eu entrei para o balé por uma necessidade estética, como eu disse no início. Eu entendia que o balé era uma necessidade de inclusão, onde eu me sentia muito bem. Depois, com a Educação Física, eu tive a primeira oportunidade de entender que a dança é pra todos, e que não precisa ser só para as magrinhas.

Agora, com a metodologia e a busca pela pós em Neuropsicopedagogia, eu tive um aprendizado unindo essas três formações, e assim me sinto bem preparada para ensinar a dança, no sentido de que a inclusão não é apenas do ‘magrinho pro gordinho’, não é sobre estética, é uma inclusão dentro da síndrome dos transtornos e das deficncias. Todos nós somos deficientes, porém para algumas pessoas a deficiência é aparente, e para outras não, mas todos somos deficientes.

Hoje eu estou aprendendo cada dia mais com a metodologia Coordenando-se, com o trabalho que eu faço com as crianças com síndromes, transtornos e deficiências, em que a dança deve ser para todos, até para aqueles que nós achávamos que não deveriam dançar. Esse é o grande aprendizado.

A cada oportunidade que eu tive dançando, e agora aliada à metodologia, eu fui aprendendo a incluir todas as formas, todos os tipos, todos os jeitos, e todas as pessoas dentro da minha dança. Se eu tenho uma criança surda, cega, autista, com Down ou qualquer outro tipo de transtorno ou síndrome, eu vou conseguir fazer com que elas dancem. Se eu tenho uma criança talentosa, ela vai querer o ‘podium’, e hoje eu trabalho para mostrar que todo mundo pode ser igual e com o mesmo valor, e normalmente os talentosos não querem ser como todo mundo, eles querem ser melhores, o que faz com que eles o se adaptem ao meu trabalho. E mesmo perdendo uma parte do mercado, eu tenho me sentido muito realizada, pois o brilho nos olhos daquela mãe que nunca imaginou que o filho fosse fazer algo me emociona muito mais do que o brilho dos olhos daquela e que tem um reconhecimento de que a filha dela é melhor do que as outras, sendo que não existe ‘o melhor’. Isso eu aprendi de alguns anos pra . 

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Conheça mais sobre a metodologia Coordenado-se em:

@metodogiacoordenandose

 https://coordenandose.com.br/

 


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