Isadora Duncan - Revolução, dança, moda e uma história digna de filme!


Dias atrás fui ao Convento da Penha, em Vila Velha.. ventava muito e, como estava gripada, coloquei uma echarpe  para me proteger.

 Durante a visita, curiosamente, lembrei-me de uma história, que há muitos anos me foi contada por uma professora de ballet, sobre uma bailarina que morreu  quando passeava em seu carro conversível e  teve sua longa echarpe presa às rodas do veículo. 

A lembrança dessa  história me instigou a pesquisar mais sobre o assunto... 

Foi então que me surpreendi, ao ler mais sobre Isadora Duncan: mais do que uma bailarina, ela foi uma pessoa de grande influência para a dança e, coincidentemente, para a moda também. Revolucionária, quebrou tabus por ser “ela mesma”, em uma época em que as mulheres não podiam quase nada. 

Acho interessante olhar para trás e ver que alguns registros do passado cabem perfeitamente no contexto de acontecimentos atuais...

Isadora passou,  mas deixou sua  essência na dança, na moda e na vida! 

Confira abaixo um pouco da historia dela.

Bjobjo, 

Bella

 

Irreverente e cheia de personalidade, Isadora Duncan fez história na dança e influenciou a moda.

Nascida em 1877, na Califórnia, filha de pais divorciados,  teve uma infância humilde, mas a mãe, além de  se preocupar em oferecer  uma boa educação formal para os filhos, dava aulas particulares  de literatura, poesia, música e artes plásticas para eles.

Aos quatro anos de idade inciou seus estudos de ballet clássico e aos onze anos já começava  a dar aulas seguindo seu estilo próprio, que refletia sua personalidade livre e comportamento contrário  aos padrões, regras  e tradições preestabelecidos. Desde cedo demonstrava um  temperamento transgressor, que a levou a abandonar as convenções do ballet da época.

 Desenvolveu seu próprio método, com  técnicas e concepções artísticas totalmente adversas ao ideal estético da dança clássica de sua época, buscando uma forma de dança mais livre e expressiva.  Seus movimentos eram inspirados nos fenômenos da natureza, como o fluir das ondas do mar, do vento e da força das tempestades.  

Revolucionou também o repertório musical do que era apropriado para temas de dança, e incorporou a seus trabalhos peças como Chopin, Wagner, Bethooven e Nietzsche, que na época eram executadas  somente para serem ouvidas. Inovou também na estética do palco, utilizando apenas uma cortina  como cenário, pretendendo com isso reforçar a importância da expressividade do dançarino, sem recorrer a arteficios superficiais e vazios.  Segundo ela : " a beleza da arte não é feita de ornamentos, mas daquilo que flui da alma humana inspirada e do corpo, que é o seu símbolo ... "

Apesar de ter causado grande polêmica com seu ballet, estética e repertório revolucionários, Isadora apresentou-se para plateias diversas, inicialmente em  Chicago e depois em Nova York e  Londres, mas foi na França, no inicio de 1900 , que encontrou o reconhecimento que buscava, fechando contratos para se apresentar na Hungria, Grécia, Russia e Alemanha.

Marcou presença  com sua  Companhia também nas principais capitais europeias,  em diversas cidades dos Estados Unidos,e na América do Sul,  chegando a fazer uma apresentação no Brasil, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, sendo sempre ovacionada por onde passava.

  Ela não se dedicou a elaborar uma técnica ou doutrina sistematizada que pudesse ser difundida e ensinada às futuras gerações, ainda que tenha fundado duas escolas, na Alemanha e na Rússia, pois se preocupava apenas em transmitir seus sentimentos à plateia, afirmando que a dança deveria ser resultado de um movimento interno, ou seja, o corpo era apenas o intérprete da alma e do espírito. Mesmo assim, ela representou um marco na história da Dança Moderna, pois revolucionou o pensamento da sociedade em relação às formas de se dançar

Em sua  vida pessoal, Isadora também ignorava a moral tradicional, sendo contrária ao casamento, causando escândalo na época com seus casos amorosos. Era  ateia e comunista, tendo declarado abertamente suas ideias comunistas no palco. 

Seus dois filhos Deirdre e Patrick foram concebidos fora do casamento, o que para  a época foi um escândalo, provocando ira ao pensamento conservador de muitos.  

Patrick foi fruto de seu relacionamento com Paris Singer, que curiosamente era herdeiro de Isaac Singer, inventor e fundador  das máquinas de costura Singer.

Mas a relação de Isadora com a indústria do vestuário e com a moda não parou por aí... A bailarina e coreógrafa ajudou a impulsionar o desenvolvimento da chamada “reforma do vestuário “. Em tempo de Belle Epoque, marcado pelo uso de espartilhos e anáguas que criavam a chamada linha “S” do corpo, ela ousava aparecer descalça, sem espartilho e parcialmente vestida. Gostava de deixar seus braços e pernas expostos, e tanto a sua dança quanto o seu estilo eram altamente influenciados pela arte clássica grega, sendo muito lembrada por  suas túnicas neutras de tecidos leves, que permitiam com que ela se movesse de uma forma mais livre.

Os famosos estilistas Paul Poiret e Madeleine Vionnet, inspirados pelo estilo e personalidade forte de Isadora, marcaram a História da Moda. Paul Poiret, sempre declarou que sua batalha pela abolição do espartilho não teria êxito se não fosse a coragem de Isadora Duncan. Afinal, ele precisava de alguém que usasse suas roupas, possibilitando a mudança de um estilo rígido. 

Já Madeleine Vionnet ao desenvolver o corte diagonal ou  em viés, trouxe a valorização das formas naturais do corpo feminino, permitindo maior movimento, conforto e fluidez . A maison francesa, inclusive, celebrou seu grande retorno e aniversário de 100 anos em 2012, com um pequeno filme mostrando peças célebres de Madame Vionnet em homenagem à lendária Isadora Duncan.

Mas não bastava ser inspiração em sua época, Isadora também inspirou nos últimos anos coleções de marcas como Missoni, Diane Von Furstenberg, Alcaçuz entre outras...

    Missoni 2010

Diane Von Furstenberg 2011

Isadora passou os últimos anos de sua vida na cidade de Nice, na Riviera Francesa. Nessa época já havia abandonado os palcos e atravessava uma fase de decadência, tomando remédios e vivendo entregue ao alcoolismo. 

Sua vida foi marcada por  tragédias, com o suicídio do segundo marido e a morte prematura de  seus dois filhos em um acidente de carro. 

Em 1927, aos 49 anos,  morreu de forma incomum, assim como  demonstrou ser por toda a vida... Sentada no banco de trás de um carro conversível, a longa echarpe que usava agarrou no pneu do carro deixando-a estrangulada.

Um história trágica, porém gloriosa... curiosamente, antes de entrar no carro, Isadora se despediu de algumas amigas dizendo    

“ Adeus, vou para a glória!”.

Em homenagem à bailarina, foi criado em 1979, o Isadora Duncan Foundation, em Nova York . Os arquivos pessoais da bailarina estão atualmente no Lincoln Center, também em Nova York.

 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Isadora_Duncan

http://lounge.obviousmag.org/por_tras_do_espelho/2013/12/o-espirito-revolucionario-de-isadora-duncan---a-bailarina-que-transformou-a-danca-no-seculo-xx.html

http://estilosasefashionistas.blogspot.com/2015/10/isadora-duncan-e-sua-contribuicao-para.html